| Resposta rápida: UGC (User Generated Content, ou conteúdo gerado pelo usuário) é todo conteúdo que clientes e fãs criam sobre uma marca por conta própria: avaliações, fotos, vídeos, comentários e posts. Ele pesa na decisão de compra porque vem de quem já comprou, e hoje também influencia o que Google e IAs dizem sobre a sua empresa. Para ter mais UGC, a marca deve incentivar e reconhecer quem cria, além de levar esse conteúdo para as redes e para o site. |
Antes de contratar um serviço ou fechar com um fornecedor novo, quase todo tipo de cliente, incluindo eu e você, procura o que outras pessoas falaram. Pode ser a foto de um cliente no Instagram, uma avaliação de três estrelas no Google ou o post de um gerente de compras no LinkedIn.
O que mais traz credibilidade para esse tipo de avaliação, e une todas elas, é que a marca não escreveu nenhuma dessas linhas, e o leitor sabe disso.
No marketing digital, esse material se chama User Generated Content (UGC).
Neste guia você vai entender o que é UGC, por que ele passou a pesar também nas buscas por IA e como fazer seus clientes criarem conteúdo sobre a sua marca sem comprar opinião e sem esbarrar nas regras que regem a autenticidade desse tipo de conteúdo gerado por usuário em 2026. Acompanhe!
O que é UGC (User Generated Content)?
UGC é a sigla de User Generated Content, ou conteúdo gerado pelo usuário em português. É qualquer conteúdo sobre uma marca, produto ou serviço criado por quem consome, e não pela própria empresa.
Na prática, entram nessa conta:
- avaliações no Google, em marketplaces e em sites como Reclame AQUI;
- fotos e vídeos de clientes usando o produto (o famoso unboxing é o exemplo mais lembrado);
- comentários, respostas e marcações nas redes sociais;
- depoimentos em vídeo e posts de clientes no LinkedIn;
- discussões em fóruns e comunidades, como Reddit e grupos de WhatsApp ou Facebook;
- perguntas e respostas deixadas na página de um produto.
Se você chegou aqui querendo saber o que é UGC em uma frase, é isto: a voz do cliente publicada em algum lugar da internet. A diferença entre uma marca e outra está em quanto dessa voz existe e no que a empresa faz com ela.

UGC orgânico, UGC pago e influenciador: qual a diferença?
Quem pesquisa o que é UGC e planeja implementar esse tipo de estratégia em sua marca logo esbarra em outro termo, o “UGC creator“. Os dois nomes se parecem, mas o custo, o dono do conteúdo e a credibilidade mudam bastante.
| UGC orgânico | UGC pago (UGC creator) | Influenciador | |
| Quem cria | Cliente real, por vontade própria | Criador contratado para gravar com estética de cliente | Criador com audiência própria |
| Onde publica | No perfil do cliente ou em plataformas de avaliação | Geralmente entrega o arquivo para a marca usar nos canais dela e em anúncios | No próprio perfil |
| Custo | Zero ou incentivo simbólico | Cachê por peça | Cachê por publicação ou campanha |
| Credibilidade | A mais alta, porque ninguém pagou | Boa no criativo, mas não é opinião espontânea | Depende da relação do público com a pessoa |
| Melhor uso | Prova social, reputação e visibilidade em buscas e IAs | Volume de criativos para mídia paga | Alcance e descoberta |
O UGC pago serve bem a quem precisa testar muitos criativos em anúncios, desde que seja transparente.
O Conar publicou em maio de 2026 a nova edição do Guia de Marketing e Publicidade por Influenciadores Digitais, e a identificação de conteúdo pago precisa ser clara e imediata, com as ferramentas de parceria paga das plataformas ou termos como #publi.
Conteúdo encomendado com cara de cliente comum, sem aviso, é o que o guia quer evitar!
Por que o UGC importa: confiança, engajamento e reconhecimento
As pessoas acreditam mais em quem já comprou do que em quem está vendendo. Três pesquisas brasileiras recentes medem esse peso.
- No estudo O Mapa da Busca no Brasil 2026, as avaliações de consumidores foram o formato que mais pesou na decisão de compra online para 43,5% dos mil entrevistados. Vídeos curtos ficaram com 21,5%, e respostas de IA com 3,6%.
- Uma pesquisa do Reclame AQUI com 2,3 mil consumidores, feita em fevereiro de 2025, mostrou que 81,54% leem avaliações antes de comprar e que 72,29% deixariam de comprar de uma empresa que não se preocupa com a opinião dos clientes.
- Em negócios locais o número é ainda maior. No levantamento Decisão Local 2025, também do Reclame AQUI, 96% dos brasileiros disseram ler as avaliações no Google antes de escolher uma loja ou serviço, e 27% só escolhem estabelecimentos com avaliações publicadas nos últimos sete dias.
Fora do Brasil, a referência mais citada é da Stackla. Em uma pesquisa de 2021 com 2.042 consumidores dos Estados Unidos, Reino Unido e Austrália, 79% disseram que o UGC influencia muito suas decisões de compra, contra 9% que disseram o mesmo sobre conteúdo de influenciadores.
Repare no último número: um quarto dos consumidores descarta quem não tem avaliação nova. A empresa que pede, responde e mostra o que os clientes falam mantém a conversa viva, já aquelas que ignoram, passam a impressão de que ninguém compra mais ali.
“Quando um cliente fala bem de você sem ninguém pedir, ele faz um trabalho que nenhum anúncio consegue fazer. Quem lê sabe que ele não ganhou nada para dizer aquilo. Por isso a gente trata avaliação e comentário de cliente como ativo da marca, que merece o mesmo cuidado de qualquer campanha.”
Moacyr Guedes Júnior, CEO da Agência WEBi

UGC e IA: o que seus clientes falam vira resposta para as Inteligências Artificiais
Quando alguém pergunta ao ChatGPT, ao Gemini ou ao AI Mode do Google qual a melhor clínica da cidade ou qual software de gestão vale a pena, a IA monta a resposta com base no que encontra publicado. E boa parte do que ela encontra foi escrito por usuários, não por marcas.
Uma análise com 58,6 milhões de citações em LLMs, coletadas entre outubro de 2025 e março de 2026, colocou YouTube e Reddit logo atrás da Wikipédia entre os domínios mais citados. O mesmo estudo observa que muitos dos domínios mais citados têm uma característica em comum: o conteúdo é feito por pessoas.
A Ahrefs foi por outro caminho e cruzou dados de 75 mil marcas. A conclusão que os especialistas em marketing chegaram foi de que menções à marca espalhadas pela web foram o fator com maior correlação (0,664) como aparecer nas respostas do AI Overviews. As marcas no espaço mais mencionado tiveram, em média, mais de dez vezes mais aparições do que as do recorte seguinte.
Correlação não garante resultado, e ninguém controla o que a IA vai responder. Só que, se ninguém fala da sua empresa fora do site dela, a IA tem pouco material para citar você.
“A IA monta a resposta a partir do que encontra publicado sobre você, e pesa muito o que outras pessoas escreveram. Site bom e operacional segue sendo fundamental, mas se o cliente nunca contou a experiência dele em lugar nenhum, a sua marca fica sem testemunha. UGC virou parte do trabalho de GEO.”
Moacyr Guedes Júnior, CEO da Agência WEBi
💡 Leia também – O que é GEO?
Como reconhecer oportunidades de UGC
Muitas empresas já recebem conteúdo dos clientes e não percebem. O primeiro passo é mapear os momentos em que o cliente está mais propenso a falar da marca.
Os momento mais naturais e comuns são:
- Logo depois da entrega ou do atendimento. É quando a experiência está fresca. Para um e-commerce, é o dia em que a caixa chega. Para uma clínica, é a saída da consulta.
- Quando o cliente vê resultado. O antes e depois da reforma, o primeiro mês usando o software, a colheita depois de trocar de fornecedor. Quem lê enxerga o próprio problema resolvido, e por isso esse tipo de post convence tanto.
- Nas marcações espontâneas. Menções nos stories, fotos marcadas, comentários em posts. Confira as notificações e busque o nome da marca nas redes pelo menos uma vez por semana.
- Nas perguntas que chegam ao direct e ao WhatsApp. A dúvida mostra o que as pessoas querem saber e, muitas vezes, chega junto de um elogio que pode virar depoimento.
- Em eventos, inaugurações e datas da marca. Gente reunida tira foto, e um painel bem montado com uma hashtag simples aumenta as chances de a marca aparecer nela.
- Nas avaliações que já existem. Muita empresa tem dezenas de avaliações no Google que nunca respondeu nem aproveitou.
Crie um canal interno, que pode ser um grupo ou uma planilha, para atendimento, vendas e social media registrarem elogios, fotos e comentários.
Muito UGC se perde na conversa de uma pessoa só.
Como incentivar o cliente a criar conteúdo sobre a sua marca
Todo incentivo, por mais bem intencionado que seja, tem limite: a partir do momento em que a marca paga pela opinião, ela deixa de ser espontânea, e por isso o cliente precisa apenas de um empurrão e de um caminho fácil para poder gerar este conteúdo.
Na prática, o que mais funciona:
- Peça no momento certo e de forma direta. Um e-mail ou WhatsApp pós-compra com o link exato para avaliar no Google funciona melhor do que um “deixe sua opinião” perdido no rodapé do site.
- Tire o atrito. Link direto, QR code no balcão ou na embalagem, uma pergunta só. Cada clique a mais derruba a taxa de resposta.
- Dê uma ideia do que mostrar. “Mande uma foto de como ficou a sua sala” rende mais que “conte o que achou”. O cliente quer ajudar, mas não sabe o que fazer.
- Crie um motivo para ser visto. Repostar clientes com frequência mostra que quem publica ganha destaque. Isso, sozinho, já estimula novos posts.
- Use hashtag ou desafio com moderação. Funciona bem para marcas com comunidade engajada. Para empresas menores, o pedido individual costuma render mais.
Brinde ou desconto em troca de avaliação é onde muita marca se complica. Em 24 de julho de 2026, o Google atualizou a documentação de review snippets para deixar explícito que sites não devem incluir avaliações falsas ou incentivadas sem aviso, nem na página nem nos dados estruturados.
Se a avaliação nasceu de um benefício, isso precisa estar claro.
E se o incentivo for grande o suficiente para virar relação comercial, o caso pode entrar no território do guia do Conar. Na dúvida, prefira agradecer depois, sem condicionar nada à opinião (e consulte o jurídico).
Como valorizar o Conteúdo Gerado por Usuário – UGC, e quem o criou
Quem gasta tempo para falar da sua marca quer, no mínimo, ser visto. Quando a empresa responde e dá crédito, o cliente tende a publicar de novo, e outros clientes percebem que vale a pena.
- Responda tudo, principalmente as avaliações negativas. Uma resposta educada e com solução vale mais para quem está lendo do que uma nota cinco sem comentário.
- Dê crédito sempre. Marque o perfil, cite o nome (com autorização) e agradeça em público.
- Peça autorização antes de reaproveitar. Foto e vídeo de cliente têm direito de imagem. Para repostar nos stories, uma mensagem pedindo permissão resolve. Para usar em anúncio ou no site, guarde um aceite por escrito.
- Devolva algo. Acesso antecipado, convite para evento, um contato da equipe para entender melhor a experiência. O gesto é de reconhecimento e vem sem condição nenhuma.
- Leve para dentro da empresa. Elogio e reclamação de cliente são diagnóstico gratuito. Compartilhe com produto, atendimento e vendas.
Como aproveitar o UGC nas redes da marca
Com autorização em mãos, o UGC pode ocupar boa parte do calendário de redes sociais sem perder autenticidade. Algumas formas que dão certo:
- Repost nos stories e destaques fixos organizados por tema (clientes, resultados, bastidores de entrega).
- Carrossel com avaliações reais, com o print da avaliação no Google ou o trecho do comentário, sempre creditado.
- Reels montados com vídeos de clientes, com uma narração ou legenda da marca dando contexto.
- Respostas em vídeo às perguntas mais frequentes, usando a dúvida real do cliente como gancho.
- Anúncios com UGC, que costumam parecer menos propaganda. Aqui a autorização formal é obrigatória.
Leve o UGC também para dentro do seu site
As redes dão alcance, mas o cliente decide a compra no site. É lá que avaliação, depoimento e foto de cliente precisam estar, perto do produto, do formulário e do botão de orçamento.
Só que colocar UGC no site exige alguns cuidados técnicos que quase ninguém comenta:
- Velocidade. Galeria de fotos e vídeo incorporado pesam. Se a página fica lenta, o visitante sai antes de ver qualquer depoimento.
- Estrutura. Avaliação em texto, legível, ajuda tanto o visitante quanto os buscadores e as IAs a entenderem o que os clientes dizem. Depoimento que só existe dentro de uma imagem é invisível para máquina.
- Dados estruturados com critério. Desde 2019 o Google não mostra estrelas de avaliação para a própria empresa quando os reviews sobre ela estão no site dela, mesmo vindos de widget de terceiros. Para produtos, as estrelas continuam possíveis. Marcar avaliação da empresa achando que vai ganhar estrela é tempo perdido.
“Não adianta o cliente gravar um vídeo incrível se ele vai parar em uma página lenta, que ninguém espera carregar. O UGC precisa de um lugar à altura no site, rápido e bem organizado, para todos que estão decidindo e buscando informações, que hoje inclui as IAs.”
Moacyr Guedes Júnior, CEO da Agência WEBi
UGC no B2B: como fica quando o cliente é uma empresa
Em B2B, ninguém vai postar unboxing de uma válvula industrial, da implementação de um software ou da assinatura de um contrato. Mas o comprador corporativo também confia na avaliação dos seus pares.
No 2026 B2B Buying Disconnect Report da TrustRadius, 74% dos compradores de software disseram usar avaliações para decidir a compra, contra 13% que consultam relatórios de analistas. O mesmo relatório mostra que 63% usaram IA em algum momento da jornada.
O UGC no B2B só muda de formato:
- Depoimento em vídeo do cliente, gravado de forma simples, falando do problema que tinha e do que mudou.
- Case escrito em parceria, com aprovação do cliente e números que ele autoriza divulgar.
- Post do cliente no LinkedIn comentando o projeto. Facilite mandando fotos do trabalho e sugerindo o momento do post.
- Avaliações no Google e em plataformas do setor, que muitas empresas B2B nem lembram de pedir.
O pedido em B2B costuma funcionar melhor quando vem do gestor da conta, no fim de uma entrega bem-sucedida. Um pedido feito por quem acompanhou o projeto rende mais do que uma automação genérica.
Seu site está pronto para receber o UGC?
Antes de levar as avaliações, fotos e depoimentos para o site, descubra como ele está hoje. A ferramenta gratuita de análise de site da WEBi faz um raio-x da página e mostra o que precisa de ajuste antes de você colocar mais conteúdo nela, sem custo nenhum.
Por onde começar seu trabalho de Conteúdo Gerado pelo Cliente?
Entender o que é UGC leva dez minutos.
Gerar UGC pede rotina, mas a boa notícia é que essa rotina custa pouco!
Comece pelo que já existe: responda as avaliações paradas no Google e registre os elogios que chegam ao atendimento. Depois escolha um momento da jornada, como a entrega ou o fim do projeto, para pedir a avaliação de forma direta.
E se quiser já realizar um teste rápido para ajudar a medir o ponto de partida, basta perguntar ao ChatGPT ou ao Gemini “qual a melhor empresa do seu segmento na sua cidade” e veja se a sua aparece.
Se o seu site ou a sua marca não aparecer, o que os seus clientes publicaram até agora e o seu trabalho de SEO não estão sendo suficientes para demonstrar a qualidade do seu trabalho.

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Jornalista, Gestor de Conteúdo e SEO na Agência WEBi, trabalhando para ajudar empresas a crescerem e se tornarem referências por meio de soluções como o Inbound Marketing. Possui mais de 15 anos de experiência em comunicação empresarial e governamental.
