Da LGPD ao SAFE do Google: como está evoluindo a segurança na internet

Da LGPD ao SAFE do Google: como está evoluindo a segurança na internet

Há quinze anos, segurança na internet se resumia a antivírus e senha forte. Hoje você também precisa saber quem guarda seus dados e se o texto, a foto ou o vídeo que aparece na tela foi feito por uma pessoa ou por uma máquina.

Essa mudança aconteceu em etapas, e cada uma trouxe regras novas. Algumas viraram lei, como a LGPD. Outras foram decisões do Google que mudaram o comportamento de milhões de sites. A mais recente é uma pesquisa do Google Research publicada em setembro de 2026, o SAFE.

Continue sua leitura e conheça mais sobre a linha do tempo dessas mudanças, o que cada uma garante a você e o que ainda está em aberto.

O que é a LGPD e o que ela garante a você

A LGPD é a lei brasileira que protege seus dados pessoais, ou seja, qualquer informação que identifique você: nome, CPF, e-mail, endereço, localização do celular. A Lei 13.709 foi sancionada em 14 de agosto de 2018, entrou em vigor em setembro de 2020 e passou a prever multas a partir de agosto de 2021.

A lei dá a você direitos que antes não existiam de forma clara. Pelo artigo 18, você pode pedir a qualquer empresa que:

  • confirme se ela trata seus dados e mostre quais são;
  • corrija dados errados ou desatualizados;
  • apague dados desnecessários ou tratados sem base legal;
  • leve seus dados para outro fornecedor (portabilidade);
  • informe com quem compartilhou suas informações;
  • deixe de usar seus dados quando você retirar o consentimento.

A lei também separa um grupo de dados sensíveis, como saúde, religião, biometria e opinião política, que exigem cuidado redobrado.

Quem fiscaliza é a ANPD, a Autoridade Nacional de Proteção de Dados. As multas chegam a 2% do faturamento da empresa no Brasil, limitadas a R$ 50 milhões por infração. A primeira multa saiu em julho de 2023, para uma pequena empresa de telemarketing que tratava dados sem base legal e não tinha encarregado de dados.

Na prática, a LGPD é o motivo de quase todo site hoje mostrar aquele aviso de cookies na primeira visita. É chato, mas é você sendo consultado antes de ter seus dados coletados.

💡 Leia também – Como construir autoridade digital com conteúdos de qualidade

A linha do tempo da segurança na internet

A segurança na internet evoluiu em três camadas, e cada uma transformou algo que era opcional em obrigação.

AnoO que aconteceuCamada
2014Marco Civil da Internet define direitos e deveres na rede no Brasil (abril)Dados
2014Google passa a usar HTTPS como sinal de ranqueamento (agosto)Técnica
2018Chrome marca sites sem HTTPS como “Não seguro” (julho)Técnica
2018LGPD é sancionada (agosto)Dados
2020LGPD entra em vigor (setembro)Dados
2021Nasce o C2PA, padrão para registrar a origem de fotos e vídeosConteúdo
2023ANPD aplica a primeira multa da LGPD (julho)Dados
2023Google DeepMind lança o SynthID, marca d’água para conteúdo feito por IA (agosto)Conteúdo
2024Google cria política contra “abuso de conteúdo em escala” (março)Conteúdo
2026Regras de transparência do AI Act europeu entram em vigor (agosto)Conteúdo
2026Google Research apresenta o SAFE (setembro)Conteúdo

Camada 1: o site seguro

A primeira grande virada foi técnica. Em agosto de 2014, o Google anunciou que sites com HTTPS ganhariam uma pequena vantagem nos resultados de busca. Quatro anos depois, o Chrome passou a mostrar “Não seguro” ao lado de qualquer endereço sem criptografia.

Esta foi uma das mudanças de efeito mais rápido. Nenhuma loja virtual quer um alerta vermelho no momento do pagamento, e o cadeado virou padrão. Para você, a regra continua valendo: sem cadeado na barra de endereço, não digite senha nem número de cartão.

Camada 2: os seus dados

A segunda camada tratou do que acontece com suas informações depois que você as entrega. O Marco Civil da Internet, de 2014, abriu o caminho com princípios de privacidade. A LGPD transformou esses princípios em obrigações concretas, com prazo para responder ao titular, registro de cada uso e multa para quem descumpre.

Camada 3: o conteúdo que você vê

A terceira camada é a mais nova. Com a IA generativa, ficou barato produzir milhares de textos, imagens e vídeos falsos que parecem reais. A pergunta deixou de ser só “meus dados estão seguros?” e passou a incluir “posso confiar no que estou lendo?”.

Empresas e governos ainda estão construindo as respostas. O padrão C2PA registra a origem de fotos e vídeos. O SynthID, do Google DeepMind, coloca marcas d’água invisíveis em conteúdo gerado por IA. Em março de 2024, o Google passou a tratar como spam a produção de páginas em massa sem valor para o leitor, feitas com IA ou não.

Com cada vez mais etapas de verificação sobre os coonteúdos criados para a internet, o Google tenta garantir a segurança e veracidade de toda a informação compartilhada digitalmente.

O que é o SAFE do Google e o que ele não muda

O SAFE (Scaled Abuse Forensics Examiner) é um sistema de agentes de IA criado pelo Google Research para investigar redes coordenadas de conteúdo sintético, aquelas operações que publicam centenas de páginas ou vídeos falsos ao mesmo tempo.

Segundo o estudo do Google Research, o sistema divide a investigação em três frentes: o conteúdo em si, o comportamento das contas (como publicações sincronizadas) e as conexões entre elas (como servidores compartilhados). 

Com isso, é possível identificar uma rede mesmo quando cada peça foi levemente modificada para escapar da comparação direta.

Sua empresa está pronta para essa nova camada?

Se você tem uma empresa, as três camadas valem para o seu site também: HTTPS, LGPD em dia e conteúdo que mostra quem escreveu e de onde vêm os dados. 

Na WEBi, produzimos conteúdo com autoria, fontes verificáveis e revisão humana, pensado para ser encontrado no Google e citado por IAs. 

Fale com a gente e veja como deixar sua marca do lado confiável da internet.

A confiança virou parte da segurança

A segurança na internet começou protegendo a conexão, passou a proteger seus dados com a LGPD e agora tenta proteger a própria informação. Cada etapa demorou anos para se estabelecer e virar regra, e quem se adiantou, seja um site que adotou o cadeado cedo ou uma empresa que organizou seus dados antes da primeira multa, saiu na frente.

Com a IA, o ciclo está mais curto. Com o SAFE, o Google mostra que já trata redes de conteúdo falso como um problema de escala industrial. Para quem navega, a defesa continua sendo informação e desconfiança saudável e para quem publica, a melhor aposta é deixar claro quem está por trás de cada conteúdo.

FAQ: perguntas frequentes

O que é a LGPD? É a Lei Geral de Proteção de Dados (Lei 13.709/2018), que define como empresas e órgãos públicos podem coletar, usar, guardar e compartilhar dados pessoais no Brasil. Ela está em vigor desde setembro de 2020 e é fiscalizada pela ANPD.

Quais são os meus direitos pela LGPD? Você pode pedir a confirmação e o acesso aos seus dados, a correção de informações erradas, a exclusão de dados desnecessários, a portabilidade para outro fornecedor e a revogação do consentimento, entre outros direitos previstos no artigo 18.

O que é o SAFE do Google? É um sistema de agentes de IA apresentado pelo Google Research em 2026 para investigar redes coordenadas de conteúdo falso gerado por IA. O Google não confirmou ligação do SAFE com o ranqueamento da busca.

Conteúdo feito com IA é proibido pelo Google? Não. O Google avalia a qualidade e a utilidade do conteúdo, não a ferramenta usada. O que viola as políticas é usar IA para produzir páginas em massa com o objetivo de manipular resultados de busca.

Existe lei sobre inteligência artificial no Brasil? Ainda não há uma lei específica em vigor. O PL 2338/2023 foi aprovado no Senado em dezembro de 2024 e segue em análise na Câmara. Enquanto isso, a LGPD vale para qualquer dado pessoal usado por ferramentas de IA.