Resposta rápida: uma pesquisa própria da Agência WEBi com tomadores de decisão no Brasil mostra que nenhum participante citou o Google de maneira isolada como primeiro movimento ao buscar uma informação importante para o negócio. 40% perguntam direto para uma IA e 60% combinam fontes, quase sempre incluindo alguma IA generativa no meio do caminho. Ao mesmo tempo, 70% usam ferramentas como ChatGPT, Gemini ou Copilot todos os dias, mas só 40% sabem se a própria empresa já apareceu como referência numa resposta de IA. A confiança na inteligência artificial mudou o comportamento antes da maioria das empresas perceber o que isso significa para a própria visibilidade.
Ninguém mais pesquisa como pesquisava há três anos. A mudança não aconteceu de uma vez, foi se acumulando em pequenas decisões: perguntar pro ChatGPT em vez de abrir dez abas do Google, confiar em um resumo de IA antes de ler o site inteiro, formar uma opinião sobre um fornecedor a partir de uma resposta que nenhum humano escreveu.
A Agência WEBi decidiu medir esse comportamento de perto.
Em junho de 2026, aplicamos uma pesquisa direta com tomadores de decisão de empresas brasileiras, perguntando como eles buscam informação hoje, o quanto confiam no que uma IA responde e se sabem se a própria empresa aparece nesse tipo de resposta.
Os números explicam por que confiança na inteligência artificial deixou de ser papo de nicho técnico e virou pauta de quem lidera.
Quem respondeu à pesquisa sobre confiança na inteligência artificial
A amostra é enxuta, principalmente quando levamos em conta a expansão do uso das IAs no mercado brasileiro, mas por ser focado em tomadores de decisão reais, não é um painel genérico de internautas.
| Perfil do respondente | Distribuição |
|---|---|
| Segmento da empresa | 50% Serviços B2B · 20% outros · 10% comércio/varejo · 10% saúde, educação ou imóveis · 10% indústria/agronegócio |
| Cargo na empresa | 60% sócio, dono ou CEO · restante entre diretoria de marketing e outras funções |
| Porte da empresa | 30% média empresa · 30% freelancer/autônomo · 20% microempresa · 10% pequena empresa · 10% grande empresa |
Não é uma amostra que substitui um instituto com painel de milhões de pessoas, e essa comparação nem faz sentido aqui. É uma leitura direta de quem, na prática, assina o cheque e decide o rumo digital da empresa.
Para esse tipo de decisor, o comportamento individual pesa mais do que estatística de população geral, porque é ele quem aprova, ou não, investir em aparecer direito nas respostas de uma IA.
O primeiro movimento mudou: ninguém busca só no Google
A pergunta era direta: quando você precisa de uma informação importante pro negócio, qual é o seu primeiro movimento? As opções incluíam pesquisar no Google, perguntar pra uma IA, consultar alguém de confiança, acessar direto um site já conhecido, ou combinar mais de uma fonte. O resultado chama atenção pelo que não apareceu: zero respondentes escolheram o Google isolado. Zero escolheram consultar alguém de confiança sozinho. Zero escolheram acessar direto um site que já conhecem.

40% vão direto pra uma IA. Os outros 60% combinam mais de uma fonte. A pesquisa não perguntou exatamente o que entra nessa combinação, mas dá pra fazer uma inferência razoável: como 70% desses mesmos respondentes afirmam usar uma IA todos os dias (o próximo dado desse artigo), é bem provável que a maioria dessas combinações inclua alguma ferramenta de inteligência artificial ao lado do Google ou de uma fonte humana.
Na leitura mais conservadora possível, 40% do primeiro movimento das empresas já é território exclusivo da IA. Na leitura mais realista, esse número é maior. O caminho que era padrão até pouco tempo atrás, abrir o Google e navegar pelos primeiros links sem mais nada, não apareceu uma única vez como escolha isolada.
Usa todo dia, mas não sabe se aparece
70% dos participantes da pesquisa usam ChatGPT, Gemini ou Copilot todos os dias pra buscar informação. Não “já experimentaram uma vez”. TODOS OS DIAS! Mais 10% usam algumas vezes por semana. Ninguém escolheu a opção “raramente, ainda prefiro o Google”. Dentro desse grupo, abrir uma IA em vez do buscador tradicional deixou de ser exceção.

O contraste aparece na pergunta seguinte. Quando perguntamos se a própria empresa do respondente já apareceu como referência numa resposta de IA, só 40% disseram que sim. 20% nunca verificaram, mas querem saber. 30% simplesmente não acreditam que a própria empresa apareça. 10% não sabem nem como checar isso.
O padrão fica claro quando as duas perguntas ficam lado a lado. As empresas médias, nesta amostra, usam IA todo santo dia pra tomar decisões, comparar fornecedores e resolver dúvidas rápidas.
As mesmas empresas, na maioria dos casos, não tem ideia se está do outro lado dessa mesma dinâmica, sendo citadas, ou ignoradas, quando um cliente em potencial faz a pergunta inversa.
Confiança na inteligência artificial não é ingenuidade
Existe uma leitura preguiçosa para esse tipo de dado: “as pessoas confiam cegamente na IA“.
Os números da pesquisa da WEBi desmentem isso. 60% dos pessoas que responderam o questionário confiam nas respostas de uma IA com ressalva, sempre verificando em outra fonte antes de decidir qualquer coisa. 20% dizem que depende muito do assunto.
Só 10% usam a resposta de uma IA como fonte direta, sem checar em outro lugar. Ninguém marcou “não confio, prefiro fontes humanas”.

A segunda metade dessa mesma leitura é ainda mais reveladora. Metade dos respondentes diz que quase sempre percebe quando um conteúdo foi escrito por IA. Mais de 30% percebem às vezes.
Ou seja, o público que mais usa IA para buscar informação também é o público mais treinado para desconfiar dela. A confiança na inteligência artificial, nesse grupo, se parece mais com a confiança que alguém deposita num consultor experiente: usa o que ele diz como ponto de partida, mas confere antes de assinar embaixo de qualquer decisão.
O que isso significa pro mercado
O comportamento capturado pela pesquisa da WEBi acompanha uma curva que aparece em estudos bem maiores, feitos em mercados diferentes.
A SparkToro mediu, com dados de clickstream da Datos, que a maioria das buscas no Google já termina sem nenhum clique em um resultado externo, e essa proporção cresce ainda mais quando uma AI Overview aparece na tela. Do outro lado do mesmo processo, a Pew Research mediu algo ainda mais direto: quando uma IA resume a resposta, só 1% dos usuários clicam num link citado dentro dela.
Só 1% dos cliques acontecem nos links citados dentro de uma resposta de IA. (Pew Research, 2025)
Do lado B2B, que representa cerca de metade da amostra da WEBi, a Forrester entrevistou quase 18 mil compradores corporativos no mundo inteiro em janeiro de 2026 e chegou a um número que conversa direto com o que a pesquisa da WEBi encontrou aqui no Brasil: 94% desses compradores já usam IA em algum momento do processo de compra, subindo de 89% em 2025, e a maioria aponta a IA como fonte de pesquisa mais relevante do que o próprio site do fornecedor.
A parte da confiança também se confirma fora da amostra da WEBi. Um levantamento da Bain encontrou que 80% dos usuários de busca dependem de resumos de IA em pelo menos 40% das próprias pesquisas, mas só 6% dizem confiar “bastante” nesses resumos.
Uso alto, confiança condicional. É o mesmo padrão que a pesquisa da WEBi mediu entre os tomadores de decisão brasileiros.
“Essa pesquisa confirma o que vemos todos os dias na rotina com nossos clientes. Metade dos entrevistados nem sabe se a própria empresa aparece em uma resposta de IA, e isso já é uma resposta em si. Não dá pra esperar o mercado inteiro se mexer pra só depois decidir se posicionar. Quem organizar a própria presença digital agora, enquanto a maioria ainda nem verificou onde está, sai na frente quando esse comportamento virar regra, e não exceção.“
Moacyr Junior, CEO da Agência WEBi
A boa notícia é que aparecer nessas respostas compensa. Uma análise da Seer Interactive com marcas citadas dentro de AI Overviews encontrou 35% mais cliques orgânicos e 91% mais cliques pagos nessas marcas, comparadas a concorrentes que não aparecem citados na mesma busca.
SEO x GEO: o que muda na prática
A confiança na inteligência artificial como primeiro movimento de busca exige um ajuste de estratégia, não uma reinvenção completa. SEO clássico e GEO (Generative Engine Optimization) resolvem problemas diferentes, e o próprio dado da pesquisa da WEBi mostra por que os dois precisam operar juntos.
| SEO clássico | GEO | |
| Objetivo | Ranquear nos primeiros links do Google | Ser citado dentro da resposta gerada pela IA |
| Métrica principal | Posição no ranking, CTR, tráfego | Frequência de citação, presença na resposta, menção de marca |
| O que a pesquisa da WEBi reforça | Só 10% apontam “aparecer no Google” como maior desafio | 10% apontam “ser citada pelas IAs” como desafio, mas 60% não sabem se isso já acontece |
| Onde o esforço entra | Página otimizada, palavra-chave, link | Dado original, resposta direta, estrutura clara pra IA extrair |
Nenhuma das duas colunas cancela a outra. Site lento, sem estrutura técnica organizada e sem dado original continua invisível tanto pro Google quanto para qualquer IA que tente ler esse conteúdo, como a própria WEBi mapeou nos problemas de SEO que travam a citação em IA.
O que muda é o destino final: antes, o prêmio era só o clique. Agora, o prêmio também inclui aparecer dentro da frase que a IA monta antes mesmo do clique acontecer.
O maior desafio digital, segundo os próprios entrevistados
A última pergunta pedia pro respondente apontar o maior desafio da própria empresa no ambiente digital hoje. As respostas se dividem em cinco frentes: gerar conteúdo relevante com consistência (30%), converter visitantes em leads ou clientes (30%), entender o que está funcionando ou não (20%), ser reconhecida ou citada pelas IAs (10%) e aparecer nas buscas do Google (10%).
Repare na ordem. Aparecer no Google, o desafio que dominou a conversa de marketing digital por quinze anos, empata em último lugar com ser citado por uma IA, um problema que boa parte do mercado nem sabia nomear até pouco tempo atrás. Os dois problemas de visibilidade somados chegam a 20%. Os outros 80% giram em torno de algo mais antigo: gerar conteúdo bom com consistência e transformar visita em resultado.
A confiança na inteligência artificial mudou o caminho até o cliente, mas não mudou a pergunta de fundo que toda empresa carrega, que é saber se o que ela publica resolve o problema de quem chega até ali, seja via Google, seja via IA. Sem isso resolvido, aparecer nas respostas de uma IA também não sustenta reputação nenhuma.
Se sua empresa ainda não sabe se aparece numa resposta de IA, a pergunta não é mais “isso importa?”. A pergunta é “quanto tempo ainda vou esperar pra descobrir?”. A WEBi faz esse diagnóstico cruzando SEO clássico com GEO, mostrando onde sua marca aparece hoje e o que fazer pra aparecer melhor amanhã.
Fale com o time da WEBi e descubra, com dados na mão, se sua marca já entrou nessa conversa ou ainda está de fora dela.
A confiança na inteligência artificial não é mais uma tendência a ser observada de longe. Para 100% dos participantes desta pesquisa, ela já é o primeiro filtro entre uma dúvida e uma decisão de negócio. O dado mais desconfortável não é que a IA ganhou espaço, isso já era esperado.
É que a maioria das empresas ainda não verificou o próprio lugar dentro dessa nova dinâmica, enquanto os clientes delas já mudaram de comportamento há tempo. Toda empresa que espera o mercado inteiro se mover primeiro corre o risco de descobrir, tarde demais, que a decisão sobre ela já foi tomada dentro de uma conversa que nunca chegou a ver.
Perguntas frequentes
O que é confiança na inteligência artificial, no contexto de marketing digital? Refere-se ao grau em que pessoas e empresas aceitam uma resposta gerada por IA como base pra decisão, sem necessariamente conferir em outra fonte. A pesquisa da WEBi mostra que essa confiança existe, mas vem quase sempre acompanhada de verificação. Não é um cheque em branco.
Como saber se minha empresa já aparece como referência em uma resposta de IA? O jeito mais direto é perguntar pra ferramentas como ChatGPT, Gemini ou Perplexity sobre o seu setor e ver se sua marca aparece na resposta. Também existem ferramentas de monitoramento de citação em IA que automatizam essa checagem em várias perguntas ao mesmo tempo.
GEO substitui o SEO tradicional? Não. GEO organiza o conteúdo pra ser extraído e citado por uma IA, enquanto o SEO clássico ranqueia páginas no Google. Os dois dependem da mesma base técnica, como site rápido, estrutura clara e dado original, e funcionam melhor operando juntos.
Qual é o primeiro passo prático pra aparecer nas respostas de uma IA? Comece testando as perguntas que um cliente em potencial faria sobre o seu setor dentro de uma IA generativa, pra ver quem aparece hoje. Depois, organize o conteúdo do site em respostas diretas e bem estruturadas, porque é isso que uma IA consegue extrair e citar com mais facilidade.

Jornalista, Gestor de Conteúdo e SEO na Agência WEBi, trabalhando para ajudar empresas a crescerem e se tornarem referências por meio de soluções como o Inbound Marketing. Possui mais de 15 anos de experiência em comunicação empresarial e governamental.
