O alicerce da busca online, como a conhecemos, está mudando. Por anos, o acordo foi simples: um usuário faz uma pergunta e o mecanismo de busca oferece uma lista de links como resposta.
Hoje, essa dinâmica está sendo reescrita pela inteligência artificial generativa, que não aponta mais o caminho, mas entrega a resposta pronta. Essa é, sem dúvida, a maior disrupção no marketing digital desde a criação dos próprios buscadores.
A urgência dessa transformação é reforçada por previsões impactantes. A Gartner, renomada empresa de pesquisa, projeta que o volume de buscas em mecanismos tradicionais pode cair 25% até 2026.
Olhando um pouco mais adiante, o cenário é ainda mais desafiador: muitas marcas poderão ver uma queda de 50% ou mais no tráfego de busca orgânica até 2028, à medida que os consumidores adotam a busca impulsionada por IA.
Esses números não são apenas estatísticas, são um sinal claro de que a estratégia de depender apenas de palavras-chave e rankings está com os dias contados.
O que é a Search Generative Experience (SGE) e como ela impacta o seu tráfego digital
A resposta do Google a essa nova era é a Search Generative Experience (SGE), agora chamada de AI Overviews. Em vez de apenas listar links, o sistema usa IA para analisar e sintetizar informações de múltiplas fontes da web em uma única resposta completa, exibida no topo da página de resultados. Na prática, o Google está deixando de ser um diretório de links para se tornar um provedor direto de respostas.
Essa mudança introduz o fenômeno do “clique zero”. Isso acontece quando a dúvida do usuário é totalmente resolvida pelo resumo da IA, eliminando a necessidade de clicar em qualquer link. Os dados já mostram essa tendência: em 2024, quase 60% das buscas no Google terminaram sem um clique sequer em um resultado da web.
Para empresas cujo modelo de negócio depende de atrair visitantes para o site, essa é uma ameaça direta e existencial ao seu tráfego digital. A competição não é mais apenas com outros sites por um clique, mas com o próprio Google pela atenção do usuário.
Leia também: Como a inteligência artificial está afetando o tráfego de SEO?
A mudança no comportamento do consumidor: da busca à obtenção de respostas
A tecnologia não está mudando sozinha; ela está transformando o comportamento do consumidor. Estamos saindo da era das palavras-chave curtas e entrando na era das conversas.
As buscas estão se tornando mais longas, detalhadas e em linguagem natural. Por exemplo, em vez de buscar por “melhores tênis de corrida”, o usuário agora pergunta: “quais os melhores tênis de corrida com amortecimento para um corredor pesado com pés chatos treinando para uma meia maratona?”.
Essa evolução quebra o tradicional funil de marketing linear de conscientização, consideração e conversão. A jornada do cliente se tornou imprevisível, com interações acontecendo em múltiplos canais simultaneamente.
A expectativa do consumidor mudou de forma permanente: ele agora espera respostas diretas e sintetizadas, não uma “lição de casa” em forma de links para pesquisar. Empresas que não se adaptarem a essa nova demanda por imediatismo e conveniência correm o risco de se tornarem invisíveis.
Leia também: Além do SEO: entendendo a otimização para ia e a nova era da busca conversacional
Um plano de ação para a era pós-clique
Diante desse cenário, a inação não é uma opção. Adaptar-se não significa abandonar o SEO, mas evoluí-lo. Apresentamos um plano de ação estratégico baseado em três pilares fundamentais para garantir a visibilidade e o sucesso da sua marca, mesmo em um mundo com menos cliques.
1. Construa uma marca inabalável
Em um cenário onde o tráfego orgânico diminui, o tráfego mais valioso é aquele que você possui: os usuários que buscam sua marca diretamente.
Uma marca forte é a melhor defesa contra as flutuações de algoritmos, pois cria um canal de tráfego digital que não depende de intermediários. Quando os consumidores conhecem e confiam na sua marca, eles não precisam do Google para te encontrar; eles vão direto até você.
Para isso, invista na criação de conteúdo de alta qualidade que posicione sua empresa como uma autoridade em seu nicho, como blogs aprofundados, pesquisas originais e webinars.
Além disso, diversifique sua presença em múltiplos canais onde seu público está, como redes sociais e plataformas de vídeo. O objetivo é se tornar a primeira opção que vem à mente do cliente quando ele pensa no problema que você resolve.
2. Invista em marketing de comunidade
Uma comunidade engajada é um ativo poderoso e proprietário. Ela cria um canal de comunicação direto e bidirecional com seus clientes mais leais, reduzindo a dependência de publicidade paga e de mecanismos de busca.
Diferente do marketing tradicional, que é uma via de mão única, o marketing de comunidade foca em construir uma rede de pessoas conectadas por interesses e valores em comum.
Comece definindo um propósito claro para a sua comunidade: por que alguém deveria se juntar a ela? Escolha a plataforma onde seu público já está ativo, seja um grupo de Facebook, um servidor no Discord ou um fórum em seu próprio site.
Nutra o engajamento com conteúdo exclusivo, eventos e discussões, transformando clientes em verdadeiros defensores da sua marca.
3. Otimize seu conteúdo para ser a fonte da IA
Manter a visibilidade nos resultados de busca ainda é crucial, mas o objetivo mudou. A meta não é mais “ranquear em primeiro”, mas sim “ser a fonte principal da resposta da IA”. Isso exige uma nova abordagem que podemos chamar de Otimização para Mecanismos de Resposta (AEO – Answer Engine Optimization).
A base da AEO é o framework E-E-A-T do Google: Experiência, Expertise (Especialidade), Autoridade e Confiança. Conteúdos que demonstram esses atributos têm mais chances de serem citados nas AI Overviews.
Para otimizar seu conteúdo, siga estas práticas:
- Estruture o conteúdo para a IA: use uma abordagem de “resposta primeiro”, colocando um resumo direto no início do texto. Organize as informações com cabeçalhos claros, listas e seções de FAQ.
- Demonstre autoridade: inclua biografias detalhadas dos autores, cite fontes confiáveis e construa clusters de tópicos que mostrem profundidade de conhecimento sobre um assunto.
- Use dados estruturados: implemente o schema markup para dar aos buscadores um contexto claro sobre seu conteúdo, facilitando a extração de informações para os resumos de IA.
O futuro do tráfego digital e o seu lugar nele
A ascensão da IA generativa na busca não é uma tendência passageira, é o novo normal. As empresas que insistirem nas velhas regras do jogo enfrentarão uma queda inevitável de visibilidade. O sucesso nesta nova era digital exige uma mudança de mentalidade, focada em construir resiliência e conexões genuínas.
Ao fortalecer sua marca, cultivar uma comunidade e otimizar seu conteúdo para ser a resposta, você não estará apenas se protegendo contra a queda do tráfego digital orgânico; estará construindo uma base mais sólida e sustentável para o futuro.
A tecnologia pode mudar, mas os princípios de um bom marketing, como gerar confiança e entregar valor real, permanecem os mesmos. As empresas que se apegarem a esses fundamentos não apenas sobreviverão à disrupção, mas prosperarão nela.
Sua empresa está pronta para essa nova realidade? Entre em contato com a Webi e descubra como podemos preparar sua estratégia de marketing para o futuro da busca.
FAQ (perguntas frequentes) sobre o futuro do tráfego digital
Ainda com dúvidas sobre como a IA vai impactar sua estratégia? Confira as respostas para as perguntas mais importantes sobre o futuro da busca online.
1. Qual é a maior mudança que está impactando o tráfego digital atualmente?
A maior mudança é a ascensão da inteligência artificial generativa nos buscadores, como o Google SGE (agora chamado de AI Overviews). Em vez de apenas listar links, os buscadores agora analisam múltiplas fontes e entregam uma resposta pronta e resumida diretamente no topo da página. Isso está transformando a dinâmica da busca e ameaça o modelo tradicional de geração de tráfego digital.
2. O que é o “clique zero” e por que ele é uma ameaça?
O “clique zero” é o fenômeno que acontece quando a dúvida de um usuário é completamente resolvida pelo resumo gerado pela IA, eliminando a necessidade de clicar em qualquer link. Isso é uma ameaça direta porque, se as pessoas não clicam nos resultados, as empresas perdem a oportunidade de atrair visitantes para seus sites, o que impacta diretamente a geração de leads, vendas e o modelo de negócio que depende do tráfego orgânico.
3. Diante da queda de cliques, quais as 3 principais estratégias que as empresas devem adotar?
Para prosperar na era pós-clique, o artigo recomenda um plano de ação focado em três pilares:
- Construir uma marca forte: investir em autoridade para que os clientes procurem sua empresa diretamente, criando um canal de tráfego que não depende de intermediários.
- Investir em marketing de comunidade: criar uma rede de clientes leais e engajados, estabelecendo um canal de comunicação direto que reduz a dependência de buscas e anúncios.
- Otimizar para ser a fonte da IA (AEO): adaptar o conteúdo usando o framework E-E-A-T (Experiência, Especialidade, Autoridade e Confiança) e dados estruturados, com o objetivo de que seu site seja a principal fonte usada pela IA para construir suas respostas.
Texto escrito por: Eduardo Vinicius Fagundes, analista de conteúdo, SEO e especialista em engenharia de prompt na WEBi.